Memória da Água - Emmi Itäranta

Memória da Água é o que eu vou chamar de distopia rasteira, silenciosa. Diferente do que estamos acostumados quando ouvimos no gênero Distopia, aqui o foco é a tristeza e a carga emocional das ações éticas perante a sociedade que Emmi criou. Meu primeiro contato com a autora que é Finlandesa.


Autor: Emmi Itäranta
Gênero: Distopia
Data de Lançamento BR: Janeiro de 2012
Número de Páginas: 288
Editora: Galera
inha avaliação: 3/5
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Sinopse: "Num futuro distante, depois de muitas guerras, a Europa foi dominada pela China, e o bem mais precioso dos tempos antigos se tornou tão escasso quanto a liberdade. A água passou a ser controlada e distribuída em cotas pelos militares. Noria é filha de um mestre do chá, uma profissão muito antiga que tem conhecimento sobre a localização das nascentes de água. Ela está sendo treinada para substituir o pai, e dentre todos os ensinamentos, ele revela à filha seu maior segredo: uma fonte natural escondida que fornece água para a família. Desamparada em um mundo destruído, ela começa a questionar o significado de tamanho privilégio. Guardar esse segredo é negar ajuda ao restante de população, e ajudá-los é colocar em risco a própria vida: os militares punem severamente quem for descoberto desfrutando de alguma fonte ilegal de água. Como o pai a ensinou, é preciso ter sabedoria para compreender o verdadeiro poder da água. Mas Noria também aprendeu que a sabedoria representa, acima de tudo, o poder de decidir seu próprio destino, a escolha entre lutar e se entregar."

Neste futuro distópico distante, a água é a moeda mais cara que existe e está sob total controle militar. Somos apresentados a Noria, nossa narradora, uma futura mestra do chá que herda não apenas uma tradição milenar, mas um segredo que é, ao mesmo tempo, uma bênção e uma sentença de morte: a localização de uma fonte de água doce escondida. Com esse conhecimento, ela entra em um conflito moral e ético: guardar para si e usufruir do segredo ou dividir com a população que morre um pouco mais a cada dia?

"Onde há água, há vida. Onde há segredo, há perigo."

Noria é uma protagonista bem diferente das que estou acostumada a encontrar em distopias. Ela é quieta e não tem nem um tiquinho de "síndrome de heroína". Ela não quer ser algo maior na vida; apenas vive os dias com disciplina e cumprindo o seu dever. No fundo, porém, ela é atormentada enquanto vê as pessoas definhando, sendo que ela é a detentora de um conhecimento que poderia resolver a vida de muita gente.

Acho que foi isso que me fez não me apegar tanto à leitura. Senti falta de menos delicadeza e mais bravura, rebeldia contra o Estado opressor e heroísmo. Além disso, achei a escrita da Emmi muito “leve”, quase mística. Tudo é focado em rituais, com um ritmo lento e muito reflexivo, o que não é muito a minha vibe de leitura.

Não estou dizendo que não curti, eu gostei sim! O livro aborda de uma forma diferente a crise ambiental e o autoritarismo (que, convenhamos, nem é algo tão distópico assim hoje em dia). É uma história sobre escolhas éticas e sobre como lidar com a nossa própria liberdade.
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About Carolina Piovesan

Oi prazer, me chamo Carolina Piovesan mas pode me chamar de Carol. Tenho 26 anos sou formada em 2 graduações (sistemas e Biomedicina) e tenho algumas várias pós graduações.📜Sou proprietária e Artesã da loja literária Lórien Club e além disso, sou CLT como Product Owner em uma empresa Tech/Saúde 💻.

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